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ABERT lança relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão, em Brasília

A ABERT lançou na manhã desta quarta-feira (11) o relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão. A cerimônia de lançamento ocorreu em Brasília e contou com o presidente da associação Paulo Tonet Camargo e de diversos veículos de comunicação.


De acordo com o relatório, foram 56 casos de violência não-letal, que envolveram pelo menos 78 profissionais e veículos de comunicação. Em relação a 2018, houve uma redução de 50,87% no número de casos e de 52,72% no número de vítimas. A redução é positiva, porém não significa que houve uma melhora na percepção sobre a importância do trabalho da imprensa.


Segundo Tonet, o ano passado foi motivo de preocupação. "O ano de 2019 foi preocupante. No futuro, olharemos para ele como um ano atípico, de ódio, incompreensão, uma falta de avaliação serena dos fatos. Isso revela uma incompreensão com o papel que os jornais e os jornalistas exercem na imprensa brasileira", afirmou Paulo Tonet Camargo



Ainda de acordo com o relatório, os principais alvos foram os profissionais de Rádio e TV do sexo masculino. A Região Sudeste registrou o maior número de ocorrências. As agressões físicas, que vão desde socos e pontapés a disparos de bala de borracha, continuam sendo a principal forma de violência não-letal: foram 24 casos relatados (42,85% do total) em 2019, envolvendo pelos menos 30 jornalistas.

Outro dado preocupante é que os autores das agressões foram, principalmente, os políticos ou ocupantes de cargos públicos. Em seguida, estão jogadores, torcedores e técnicos nas coberturas esportivas.


As ofensas vêm em seguida, com 8 casos, envolvendo 10 vítimas, e respondem por 14,28% do total. O número nem sempre representa a realidade, já que muitos casos não são relatados ou são minimizados por parte das vítimas. Em 2019, os profissionais de jornal foram os principais alvos de políticos ou ocupantes de cargos públicos.

Pela primeira vez desde 2012, quando a ABERT passou a monitorar os casos de violações à liberdade de expressão, houve um registro, de forma presencial, de injúria racial, crime inafiançável que deve ser punido com todo rigor. Outras situações ocorreram por meio de ataques em redes sociais.


Relatório também aponta ataques virtuais sobre a imprensa


O relatório também destacou os ataques virtuais contra a imprensa. Segundo o levantamento encomendado pela ABERT à Bites, empresa de consultoria que faz o monitoramento do universo digital, em 2019, os 130 milhões de brasileiros com acesso à internet produziram 6,2 bilhões de posts no Twitter. Desse volume, 39,2 milhões trouxeram conteúdos com a combinação das palavras "mídia", "imprensa", "jornalista" e "jornalismo".


Desse total, 3,2 milhões de posts (10%) foram produzidos por perfis e sites mais conservadores com palavras de baixo calão ou expressões que tentam desacreditar o trabalho da imprensa. Ou seja: a mídia profissional sofreu 9 mil ataques diários, uma média de 6 ataques por minuto.


No total, a imprensa profissional sofreu quase 11 mil ataques diários pelas redes sociais, uma média de 7 agressões por minuto. A soma dos ataques com viés ideológico é de cerca de 4 milhões de postagens negativas, ou 10% de tudo o que foi produzido em 2019 sobre a área de comunicação profissional no Brasil.


No Poder Legislativo, as legendas PSL e PT, da Câmara dos Deputados, lideraram as postagens sobre a mídia em 2019. Do total de 4.506 posts, 1.575 foram do PSL e 1.156 do PT. Como afirma a Bites, "os indicadores revelam que a ação contra a mídia não está restrita a um universo particular de apoiadores da direita ou da esquerda política, mas àqueles que não aceitam o contraditório".


Com informações Site Tudo Rádio / ABERT

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