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“Evolução da Radiodifusão no Estado do Rio de Janeiro”.

“Evolução da Radiodifusão no Estado do Rio de Janeiro”.

O INÍCIO E A FORÇA DO RÁDIO


O rádio de ondas médias (AM) no Rio de Janeiro iniciou suas transmissões em 1923, com nossa primeira emissora, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de Edgar Roquette-Pinto. Um avanço a partir da primeira transmissão considerada como da inauguração oficial do rádio no Brasil, realizada na Exposição Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, em 07 de setembro de 1922, se transmitiu o discurso do então presidente Epitácio Pessoa. E lá estava a primeira música, a ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, hoje diariamente iniciando a Voz do Brasil.

Inicialmente não era explorado para publicidade nem informação. Roquette-Pinto particularmente defendia a não publicidade, porque o rádio deveria ser a fonte de educação, de entretenimento, de cultura, de informação... Com o tempo, visionário, deu base aos princípios da Rádio MEC, que sucedeu sua Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, mas mostrou a importância comercial também para subsistência das emissoras como um todo.


Roquette Pinto


Por suas características técnicas, as rádios AM cobriam grande parte do estado. Para terem ideia, o primeiro jingle, do Pão Bragança, criado por Nássara, é apenas de 1932.

O rádio atingiu seu apogeu em 1930 trazendo a “ERA DE OURO DO RÁDIO” época em que o país era governado por Getúlio Vargas. O presidente estabeleceu concessões às empresas particulares e, em troca, utilizava o meio como propaganda para divulgar suas ações e enviar mensagens políticas aos ouvintes. Nascia o programa obrigatório “A hora do Brasil”, que mais tarde tornou-se “A voz do Brasil”.


Presidente Getúlio Dornelles Vargas (1951-1954) no Rio de Janeiro: pronuncia discurso na Hora do Brasil- Arquivo Nacional


Foi um momento muito particular de nossa radiodifusão, assim como em todo mundo, que vivia ainda os reflexos da quebra da bolsa de 1929 e um conflito internacional que logo surgiria: a II Guerra Mundial. As pessoas buscavam informações, no Repórter Esso, e ao mesmo tempo viam como um oásis um entretenimento radiofônico... Música, humor, novelas para sonhar, sofrer e torcer por fins de tramas como “O Direito de Nascer”... E também educar, trazendo cultura, nos levando a conhecer um novo mundo, com a internacional Carmem Miranda, ou com a alegria de Almirante, de Adhemar Cazé – avô da também alegre Regina Cazé.


Nesta época, todas as rádios disputavam a audiência lançando novos artistas em shows de calouros. Assim surgiram grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Ary Barroso, Francisco Alves, Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Orlando Silva. Quem não ouviu falar das Rainhas do Rádio? Emilinha, Marlene e tantas outras...


Emilinha Borba, Marlene, Carmélia Alvez e outros cantores e cantoras no palco da Rádio Nacional, por onde passaram os maiores ídolos da época (Crédito: Acervo Rádio Nacional – EBC)


Primeiras emissoras AM do Rio de Janeiro da época


1923 - Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (Roquette Pinto), a pioneira.

1924 - Radio Clube do Brasil

1926 - Radio Sociedade Educadora do Brasil

1927 - Rádio Mayrink Veiga

1930 - Sociedade Rádio Philips

1936 - Radio Nacional


Vale lembrar que inicialmente as emissoras de rádio eram iniciativas particulares, constituídas por rádio-sociedades e rádio-clubes, que após o surgimento do alto-falante nos pequenos aparelhos. Já era longe dos fones de ouvido, do rádio de galena... o rádio cresceu.

Por isso mesmo, da expansão desse meio, a Rádio Nacional merece alguns comentários.


Inicialmente uma empresa privada, foi estatizada pelo Estado Novo de Getúlio Vargas em 8 de março de 1940 que a transformou na rádio oficial do Governo brasileiro. Fez com que seu sinal fosse muito além, chegando aos extremos de nossa nação.

Mais interessado no poder e na penetração do rádio como instrumento de propaganda o Estado Novo permitiu que os lucros conseguidos com publicidade fossem aplicados na melhoria da estrutura da rádio o que permitiu que a Rádio Nacional mantivesse o melhor elenco de músicos, cantores e radio atores da época, além da constante atualização e melhoria de suas instalações e equipamentos. Garantiu então três importantes pilares de qualidade e sucesso: grande prestígio, um rico faturamento e uma audiência quantitativa.


Em 1941, a Rádio Nacional apresentou a primeira radionovela do país, "Em busca da Felicidade", original do cubano de Leandro Blanco, adaptado por Gilberto Martins. Em 1942 inaugurou a primeira emissora de ondas curtas dando a seus programas dimensão nacional.


A rádio também contava com programas de humor como o edifício de “Balança, mas não Cai" com Paulo Gracindo, Brandão Filho, Walter D’Ávila, entre outros e "PRK-30" que simulava uma emissora clandestina que "invadia" a frequência da Rádio Nacional. O programa era escrito, dirigido e apresentado por Lauro Borges e Castro Barbosa parodiando outros programas (inclusive da própria Rádio Nacional), propagandas e até cantores e músicas.


Foi pioneira também no radiojornalismo quando em 1941 durante a II Guerra Mundial, criou o Repórter Esso, o “primeiro a dar as últimas”, um dos slogans do noticioso. Criado basicamente para noticiar a guerra sob o ponto de vista dos aliados, o Repórter Esso acabou criando um padrão inédito de qualidade no radiojornalismo brasileiro que limitava-se a ler no ar as notícias dos jornais impressos. Com o seu modo austero e preciso de noticiar, o Repórter Esso fez escola e serviu de modelo para diversos outros programas de notícias, até mesmo na televisão. O Repórter Esso ficou no ar até 1968 e seu slogan mais famoso era: “testemunha ocular da história". Teve como seus maiores locutores Heron Domingues, Celso Guimarães e César Ladeira.

Dos anos 1930 até o final dos anos 1950 o rádio tinha um enorme "glamour" no Brasil. Ser artista ou cantor de rádio era o desejo de milhares de pessoas. Pertencer ao elenco de uma grande emissora como a Rádio Nacional era suficiente para que o artista conseguisse fazer sucesso em todo o país.


A CHEGADA DAS RÁDIOS FM


1955 - Inauguração da Rádio Imprensa


As concessões das FM’s se difundiram rapidamente tanto na capital quanto no interior do estado. Apesar da cobertura se limitar a sua região metropolitana as FM’s alcançaram grande popularidade pela qualidade de som e estabilidade do sinal. A limpeza de sinal permitiu uma maior “plasticidade” sonora. Com o crescimento dos prédios, o “som de cristal” antes tão limpo nas cidades brasileiras, quando não encontravam tantos obstáculos para sua transmissão, passou a ser um privilégio das FM’s que quando conseguiam chegar mais longe, iam com maior qualidade sonora. Quantas casas cariocas ligaram nas FM’s para promover bailinhos no quintal? E a Era Disco?

Hoje com a multiplicação de concessões pelo Estado e a segmentação da programação, as emissoras FM detêm a preferência sobre as rádios AM.


A CHEGADA DA TELEVISÃO


Nos anos 50 a chegada da televisão impacta na audiência das emissoras de rádio AM tornando-se o centro de atração da programação jornalística e da linha de shows. Sua chegada não poderia ser em melhor data no Rio de Janeiro, senão 20 de janeiro de 1951, aniversário da cidade, então capital federal. Surgiu pouco tempo depois da emissora de São Paulo, também TV Tupi.

Que lugar seria escolhido para primeira torre? No Morro do Corcovado, símbolo do Rio, símbolo nacional...mundial! Uma emissora que trouxe para o Brasil tantas referências, como a alegria do palhaço Carequinha, e o clássico “Grande Teatro Tupi”, com nada menos que Sérgio Britto, Fernanda Montenegro, Nathália Timberg e tantos grandes nomes. Conquistas de pioneiros que jamais desistiram, como os inúmeros participantes de programas como “O Céu é o Limite”, com Jota Silvestre, ou de tão próximos como o “Almoço com as Estrelas”, primeiro com Aérton Perlingeiro no Rio, e depois Lolita e Airton Rodrigues. Essa é uma história multiplicada por tantos canais que logo surgiram, por tantas histórias diárias contadas pela televisão, de forma aberta e gratuita. A televisão marcou nossa história, virando referência até geográfica. A TV Tupi da Urca, a TV Rio do Posto 6, a TV Globo do Jardim Botânico, a TV Manchete do Flamengo...

GERADORAS EXTINTAS

Tv Tupi (canal 6) – 1951 a 1980 fundador Assis Chateubriand, segunda emissora do país e uma das pioneiras na América do Sul e na América Latina

Tv Rio (canal 13) – 1955 a 1977 intercambio de produções com a Tv Record de SP, das Emissoras Unidas, de Pipa do Amaral – junto com a Record realizou também a primeira transmissão interestadual, permitindo que São Paulo e Rio pudessem ver a mesma imagem simultaneamente.


Tv Continental (canal 9) – 1959 a 1972 muitas produções trazidas de São Paulo, do empresário Rubens Berardo – a primeira emissora brasileira a ter um videoteipe, ainda na década de 1950


Tv Excelsior (canal 2) - 1963 a 1970, do Grupo Simonsen, sendo que com o canal 9 de São Paulo passou a constituir o primeiro conceito de Rede Nacional, distribuindo VTs, exibidos no mesmo horário e no mesmo dia, para paulistas e cariocas.

Tv Manchete (canal 6) - 1983 a 1999 a Tv de primeira Classe, de Adolpho Bloch, conhecida por sua alta tecnologia, programação inovadora e requintada.


PRINCIPAIS GERADORAS ATUALMENTE EM OPERAÇÃO

Tv Globo – 1965, de Roberto Marinho.

Tv Educativa (EBC) – 1975, criada pelo educador Gilson Amado, que com a chegada da TV digital em 2007, transformou-se na TV Brasil.

Tv SBT – 1976, a “TVS – TV Studios”, canal 11, a primeira emissora própria de Silvio Santos, antes mesmo da rede SBT, criado em 1981.

Tv Bandeirantes – 1977, o segundo canal de João Jorge Saad, criado na curiosa data de 7 de julho –mês 7 - de 1977, no canal 7, inicialmente TV Guanabara.

Tv CNT – 1992, das Organizações Martinez, do Paraná.

Tv Record – 1994, que fez retornar com a emissora anos depois, num canal próprio de Edir Macedo.

Rede Tv – 1999, no canal 6, o primeiro do Rio, antes TV Tupi e Manchete, conhecida hoje por suas inovações em transmissões em alta definição e múltiplas dimensões.


A INTERIORIZAÇÃO DA TELEVISÃO


O início da interiorização dos sinais de televisão começou em meados dos anos 70, inicialmente cobrindo deficiências de sinal nas regiões metropolitanas da cidade do Rio de Janeiro utilizando recursos do DETEL (Depto. de Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro).


Com o tempo a rede do DETEL foi expandida para todo o interior do Estado chegando as principais cidades. Os municípios menores captavam estes sinais pelo ar e as prefeituras se encarregavam de retransmitir localmente.


Nos anos 80 as principais redes de televisão iniciaram a construção de suas redes próprias de distribuição de sinais terrestres substituindo a rede do DETEL.

Ainda nos anos 80 foram inauguradas várias geradoras no Estado consolidando definitivamente a regionalização da programação. No final dos anos 80 a instalação de retransmissores tem grande aceleração com a substituição de várias redes terrestres já deficientes por sinais enviados via satélite.


Principais geradoras atuais de televisão regionais. Assim como em vários Estados, aqui também não foi diferente. Em alguns casos nossos radiodifusores até lutaram mais para conquistar todas as áreas do Rio... Imaginem, ainda sem o uso regional para satélites, termos TVs em nossa região serrana, com tantas montanhas, com tanta altitude? Mas vencemos. Unimos todo povo fluminense pela radiodifusão, tanto no rádio, como nas TVs, criando emissoras locais como:


Tv SBT Friburgo

Tv Sul Fluminense (BAND)

Tv Rio Sul Resende (GLOBO)

Intertv Friburgo, Cabo Frio e Campos (GLOBO)

Tv Record (Campos)


DIGITALIZAÇÃO DAS EMISSORAS DE TV NO ESTADO


De acordo com o cronograma da ANATEL todas as geradoras do estado já operam com sinal digital e grande parte de suas redes de retransmissores também. O Rio de Janeiro é um dos estados com maior cobertura de Tv digital do país.


As TVs Educativas


No campo da Tele-Educação, temos dos anos 1960 para cá um grande progresso. No Rio de Janeiro às tele-aulas do Professor Gilson Amado não foram apenas a base da TV Educativa no Rio de Janeiro, mas colaborou para abertura de inúmeros programas produzidos, muitos em parceria com a TV Globo e a Fundação Roberto Marinho, como com a TV Cultura e a Fundação Padre Anchieta. Educar as crianças, em primeiro lugar, até os adultos, com o ensino do Mobral. Com o tempo outras emissoras surgiram, como as TV Universitárias, a TV Escola e o Canal Futura, que não mediu esforços para reunir as mais diversas empresas pelo bem da educação. Programas como Cine Conhecimento mostraram que no entretenimento podemos sempre aprender, Faixa Comentada extraiu de grandes minisséries da Globo o quanto de História, de Cultura, de Costumes, cada capítulo possuía em sua criação. Tantos programas, tantos debates, tantas ideias. Futuro é o que queremos pela Tele-educação.


DO RIO PARA O MUNDO


Hoje muito do que é produzido no Rio de Janeiro é distribuído nas mais diversas plataformas e para todo o planeta. Da menor rádio no interior, por um simples aplicativo, é possível saber as notícias da região diretamente do Japão. Ao mesmo tempo, na televisão, tivemos a partir dos anos 1990 a criação de grandes complexos de produção como Água Grande, o Estúdios Globo (antigo Projac) e o RecNov Toda essa produção é assistida por milhões de pessoas nas Tv’s abertas e fechadas, cinemas e ainda distribuída por plataformas como Globoplay, Globosat Play e Play Plus. Ou também por emissoras internacionais, desde a pioneira, TV Globo Internacional, que em 1999 fez com que todos os continentes tivessem acesso a um canal total brasileiro... feito para brasileiros de sangue e muitos outros, de coração, simpatizantes do nosso modo de vida e principalmente da nossa cultura.

Enfim, seja em razão das pessoas, da cultura, da educação, do futebol, das belezas naturais, da carioquice, das nossas histórias, lançamos para todo o mundo que nos acompanha, através da radiodifusão, tendências. Tendências para todo o Brasil e para todo o mundo!


A radiodifusão permite ao brasileiro, em qualquer lugar do mundo e que sente saudades do Brasil possa ouvir, ver e dizer: “Sim, o Rio de Janeiro continua lindo”.

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