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Congressistas debatem jornalismo p/ combater desinformação e mudanças no hábito de consumo de mídia

O 29º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, realizado em Brasília nos dias 16 e 17, abordou formas de enfretamento às fake news e outras formas de desinformação. A conclusão sobre o tema é que o jornalismo profissional é decisivo para a defesa e fortalecimento da democracia. Especialistas se reuniram para debater o assunto nesta quinta-feira (17) durante o congresso. Conteúdo também foi destaque durante os painéis.


O vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo, mediou o debate e ressaltou que a credibilidade do jornalismo é fundamental, desde as grandes empresas até as pequenas emissoras de rádio. “Produzimos conteúdo de forma responsável. Isso nos diferencia das grandes plataformas”, afirmou,


Ele também assinalou que o mundo vive hoje uma crise de desinformação, onde cada pessoa se torna um editor, quando na verdade essa é uma tarefa do jornalismo profissional. Tonet também ressaltou que jornalismo também erra, mas tem a responsabilidade de corrigir, ao contrário de sites e blogs mal-intencionados.


O diretor regional de jornalismo do Grupo Globo, Luís Fernando Ávila, foi um dos que destacou a atuação do jornalismo profissional na apuração das notícias. “Para enfrentar as fakes news e outras formas de desinformação, é preciso de jornalismo responsável, com CNPJ ou CPF, perfeitamente auditável. Este é o nosso ganha pão, é o que nos dá a credibilidade”, disse Luís Fernando. Segundo ele, é trabalho do jornalismo profissional checar as informações quantas vezes forem necessárias. “


Outro participante do painel, o diretor-executivo de jornalismo da Band, Rodolfo Schneider, lembrou que, nas eleições deste ano, houve elevado investimento dos partidos políticos no impulsionamento de conteúdo nas redes sociais e que estações de rádio e televisão tiveram de veicular propaganda gratuitamente e em horário que poderia ser comercializado. Ele também falou da Voz do Brasil, que é obrigatória na programação das emissoras de rádio. Enquanto isso empresas digitais ainda não são devidamente responsabilizadas pela desinformação que circula em suas plataformas, mas estão livres para agregar receita.


José Occhiuso, diretor nacional de jornalismo do SBT, destacou que a sociedade brasileira já detém alguns importantes antídotos à desinformação e às fake news: jornalismo profissional, sites de checagem, Judiciário passivo (desde 2020, o TSE tem sua própria ferramenta de checagem, por exemplo) e Judiciário ativo, como no caso do Inquérito das fake news.


Congresso também contou com painel sobre conteúdo nas emissoras


Melissa Vogel, CEO da Kantar IBOPE Media, durante sua apresentação / crédito: tudoradio.com


Além do jornalismo, o congresso também contou com debates sobre o conteúdo que é veiculado nas emissoras de rádio e TV. O debate teve a mediação do diretor de Rede e Assuntos Regulatórios do SBT, Roberto Franco. Segundo o diretor, vivemos em um mundo de incertezas, e é cada vez mais importante ouvir os consumidores para, em colaboração, estabelecer produtos mais satisfatórios para as audiências.


O painel também contou com Melissa Vogel, CEO da Kantar IBOPE Media, que apresentou dados que mostram que o consumidor está no comando e já se acostumou a navegar em um ambiente de hiper informação. Vogel frisou que hoje, há uma tendência de as pessoas consumirem conteúdo em televisões conectadas à internet – 58% dos brasileiros têm uma TV plugada, conforme Melissa.


Melissa afirmou ainda que o consumidor também está mais atentoaos preços devido à variedade de serviços de streaming. Por outro lado, diz a executiva, os consumidores já compreenderam que a publicidade faz parte das jornadas de experiência, o que exige o uso de novas métricas.


Para o diretor-executivo de mídia e entretenimento da Accenture, Luis Bonilauri, os serviços explodiram durante a pandemia. “Nos Estados Unidos já existem 200 provedores de streaming”, destacou. Segundo ele, o desafio é grande para os produtores de conteúdo, afirmou, uma vez que 60% dos consumidores consideram um pouco ou muito frustrante navegar por diferentes plataformas.


Fabricio Proti, gerente geral da Paramount no Brasil, afirmou que o avanço do streaming não quer dizer que haja desinteresse pelo conteúdo aberto. “Os usuários também querem a TV aberta, publicidade e conteúdo acessível em qualquer aparelho”, afirmou. Ele também salientou que é preciso entender bem os consumidores de diferentes países, uma vez que há diferentes características regionais e locais.


O congresso


Realizado nos dias 16 e 17 de novembro, o 29º Congresso Brasileiro de Radiodifusão celebrou os 60 anos da ABERT e também o centenário da radiodifusão brasileira. A programação em Brasília reuniu empresários, profissionais de rádio e TV e renomados comunicadores para discutir temas como liberdade de expressão, gestão empresarial, inovação, publicidade, competitividade e convergência tecnológica.


Para mais detalhes sobre o congresso, basta acessar o link congressoabert.org.br


Com informações Site Tudo Rádio

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